O geriatra e especialista Otavio Castello destacou a persistência do etarismo — preconceito contra idosos — como um problema estrutural na sociedade brasileira, que contribui para a negligência no cuidado com essa população. Durante o XXIV Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, ele criticou a falta de políticas públicas efetivas para combater o idadismo, citando o Artigo 22 do Estatuto da Pessoa Idosa, que prevê a inclusão de conteúdos sobre envelhecimento e valorização do idoso nos currículos escolares. No entanto, o Ministério da Educação ainda não regulamentou a medida, deixando uma lacuna na formação de crianças e jovens sobre o tema.
O médico ressaltou que o etarismo vai além da violência física ou financeira, manifestando-se também em estereótipos depreciativos que prejudicam o acolhimento e o respeito aos idosos. Ele criticou a visão estigmatizante até mesmo entre profissionais de saúde, que muitas vezes tratam idosos com demência como incapazes, mesmo quando ainda possuem autonomia. Castello enfatizou a importância de denunciar casos de violência através de canais como o Disque 100 e conselhos municipais, mas alertou que a mudança cultural é essencial para garantir dignidade aos mais velhos.
Para finalizar, o geriatra usou uma metáfora inspirada em ensinamentos do Oriente Médio: plantar uma tamareira, cujos frutos só serão colhidos pelas próximas gerações. A analogia reforça a necessidade de promover mudanças hoje para beneficiar o futuro, destacando que o combate ao etarismo é um compromisso com a humanidade e as gerações que virão.