Mais de 70% das áreas de garimpo no Brasil são ilegais, movimentando bilhões de reais e deixando um rastro de violência e destruição. A atividade, que se intensificou a partir de 2019, avança sobre terras indígenas e unidades de conservação, especialmente no Pará, onde a fiscalização é frágil. O garimpo ilegal já contaminou rios, desmatou vastas áreas e agora ameaça um santuário de árvores centenárias na Amazônia, incluindo um angelim-vermelho de 85 metros, descoberto recentemente por pesquisadores.
A exploração do ouro tornou-se industrializada, com operações que envolvem tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, dificultando o combate às ilegalidades. Embora o governo federal tenha intensificado operações contra garimpeiros, especialistas alertam que apenas ações pontuais não são suficientes. É necessária uma reforma política articulada entre União, estados e municípios para conter o avanço da atividade, que já cobre 2,4 mil km² — área equivalente a quase duas vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.
Além dos danos ambientais, o garimpo ilegal tem impactado comunidades indígenas, como os Yanomami, expostos à fome e à violência. A contaminação por mercúrio nos rios e a perda de biodiversidade agravam a crise climática, com reflexos no ciclo de chuvas em todo o país. Recentemente, o STF derrubou uma regra que facilitava a legalização do ouro extraído ilegalmente, mas a efetividade da medida ainda depende de fiscalização rigorosa e cooperação entre autoridades. A preservação da Amazônia e seus tesouros naturais exige ações urgentes e coordenadas.