Um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou em depoimento à Polícia Federal que a agência teria invadido sistemas do governo paraguaio para obter dados sigilosos sobre negociações relacionadas à Usina Hidrelétrica de Itaipu. Segundo o relato, as ações teriam como alvo autoridades envolvidas nas discussões tarifárias, incluindo membros do Congresso, a Presidência da República e órgãos diplomáticos. O Ministério Público do Paraguai abriu um processo criminal para investigar as denúncias e convocou o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos.
De acordo com o depoimento, os supostos ataques começaram no governo anterior e continuaram na atual gestão, com autorização de dirigentes da Abin. O governo brasileiro afirmou ter interrompido as operações assim que tomou conhecimento, em março de 2023. A Polícia Federal também investiga um possível vazamento de informações sobre a existência de uma estrutura paralela dentro da agência, que teria sido usada para ações ilícitas.
O caso envolve tensões diplomáticas entre Brasil e Paraguai, já que as negociações sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu estão em andamento. O Ministério Público paraguaio reforçou seu compromisso com a soberania nacional e prometeu apurar as denúncias dentro da legalidade. Enquanto isso, as autoridades brasileiras ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os detalhes das acusações.