A fragmentação do comércio global representa um risco estrutural para o crescimento econômico e a inflação na zona do euro, conforme destacado em apresentação recente do Banco Central Europeu (BCE). A dirigente Isabel Schnabel afirmou que, embora a economia europeia esteja em recuperação gradual e o processo de desinflação avance rumo à meta de 2%, as mudanças nas políticas comerciais e tarifárias podem trazer desafios significativos para os mercados regionais.
Schnabel também ressaltou que os gastos públicos devem crescer substancialmente nos próximos anos, impulsionados principalmente por investimentos em defesa, após um período prolongado de baixos níveis de aplicação. Esse aumento reflete uma mudança nas prioridades orçamentárias dos governos europeus, em resposta a um cenário geopolítico mais instável.
A análise do BCE reforça a necessidade de monitorar os impactos da desglobalização e das políticas protecionistas, que podem afetar não apenas a inflação, mas também a competitividade da região. Embora o cenário atual mostre sinais de estabilização, os riscos associados à fragmentação comercial exigem atenção contínua para evitar retrocessos na recuperação econômica.