O filme dirigido por Mikko Mäkelä acompanha Max, um escritor freelancer que leva uma vida dupla: durante o dia, trabalha para uma revista londrina e prepara uma entrevista com um autor renomado; à noite, atua como acompanhante por meio de um aplicativo, usando suas experiências como inspiração para um livro. Ruaridh Mollica entrega uma performance convincente no papel principal, mas a narrativa não explora de forma clara as motivações por trás das escolhas do protagonista. A obra oscila entre a vaidade artística e uma possível busca por validação pessoal, sem mergulhar profundamente em questões humanas mais complexas.
A temática do trabalho sexual como janela para a natureza humana é recorrente no cinema, e o filme tenta abordá-la sob a perspectiva de um artista que observa sua própria vida como material criativo. No entanto, a trama fica presa a um olhar narcisista, perdendo oportunidades de explorar verdades mais cruas e universais. As cenas que mostram a rotina dupla de Max são eficazes, mas a falta de clareza sobre seus reais objetivos dilui o impacto emocional da história.
Embora a produção traga à tona discussões relevantes sobre identidade e ambição, a abordagem acaba superficial, deixando perguntas sem resposta. A direção de Mäkelä mostra potencial, mas falha em consolidar uma visão mais profunda sobre as contradições do personagem. O resultado é um drama que intriga, mas não consegue transcender sua própria superficialidade.