O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 ex-executivos do Grupo Americanas por envolvimento em um esquema de fraudes contábeis que resultou em desvios próximos a R$ 25 bilhões, levando a empresa a pedir recuperação judicial. Segundo a acusação, os investigados integrariam uma organização criminosa que manipulou balanços para inflar lucros e valor das ações, causando prejuízos a credores e acionistas. O caso, que tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro, aponta que o esquema operou entre 2016 e 2022, com provas incluindo e-mails, mensagens e documentos que revelariam discrepâncias contábeis.
A fraude veio à tona em janeiro de 2023, quando a empresa identificou inconsistências em seus registros financeiros. A descoberta provocou uma crise que desvalorizou os ativos da companhia em mais de R$ 70 bilhões e levou à saída do então CEO em menos de dez dias. Em fevereiro do mesmo ano, um plano de recuperação judicial foi homologado, com a empresa reconhecendo dívidas superiores a R$ 50 bilhões e mais de 9 mil credores envolvidos, incluindo grandes bancos.
Para evitar a falência, o plano prevê a injeção de R$ 12 bilhões pelos principais acionistas, além de outros R$ 12 bilhões comprometidos por instituições financeiras credoras. O MPF destacou que três colaboradores fecharam acordos de delação premiada, fornecendo detalhes sobre o esquema. O caso continua sob investigação, com medidas cautelares já adotadas contra um dos envolvidos, que reside no exterior.