Uma juíza federal dos Estados Unidos ordenou ao governo que repatrie um imigrante salvadorenho deportado por erro em março para uma prisão em El Salvador. Kilmar Armando Ábrego García, que vivia legalmente no país sob status protegido, foi acusado de ligação com gangues, mas nunca condenado. A magistrada determinou que sua permanência no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) representa “dano irreparável” e exigiu seu retorno até 7 de abril, garantindo seu direito ao devido processo legal.
O caso expõe tensões entre o Judiciário e o governo, que insiste em não repatriar o imigrante, alegando suposta filiação a uma organização criminosa. A deportação ocorreu após detenção sem base legal, violando uma ordem judicial que suspendia voos com base em uma lei do século XVIII. Organizações de direitos humanos criticam a política migratória, destacando que muitos deportados não têm histórico criminal.
A situação também revela divergências sobre a aplicação de leis antigas em contextos atuais, com o governo buscando anular decisões judiciais na Suprema Corte. O imigrante, casado com uma cidadã americana e pai de uma criança com deficiência, tornou-se símbolo dos debates sobre imigração e devido processo. O caso pode influenciar futuras disputas sobre deportações e o uso de medidas excepcionais.