A Fecomércio-SP divulgou nesta quarta-feira (2.abr.2025) uma nota em que classifica como “lamentáveis” as novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo dos EUA, alertando que elas podem ser prejudiciais à própria economia norte-americana. Segundo a federação, as medidas — que incluem taxações sobre importações e deportações em massa — devem pressionar o mercado de trabalho, elevar a inflação e desacelerar o crescimento. A entidade destacou que o aumento de tarifas sobre bens básicos e commodities essenciais afetará diretamente famílias de baixa renda e setores dependentes de matérias-primas como o aço.
Para o Brasil, a Fecomércio avalia que o cenário é menos crítico, com uma tarifa de 10% sobre produtos nacionais, inferior à aplicada a China (34%) e à União Europeia (20%). A federação sugere que a medida pode abrir oportunidades para o país ampliar sua participação em mercados afetados pelas restrições. As tarifas entram em vigor em duas etapas: a partir de sábado (5.abr), com taxa fixa de 10%, e na quarta-feira seguinte (9.abr), com acréscimos para países que cobram mais de 20% sobre produtos americanos.
O decreto foi descrito pelo governo dos EUA como uma estratégia para declarar “independência econômica”, reforçando a política protecionista adotada desde o início do segundo mandato. A Fecomércio, no entanto, argumenta que as tarifas recíprocas tendem a gerar efeitos negativos em cadeia, tanto no mercado interno quanto nas relações comerciais globais. O texto ressalta a preocupação com a escalada inflacionária e os impactos sociais, especialmente para populações mais vulneráveis.