O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou ter recebido pedidos dos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva para elaborar um plano de união monetária entre Brasil e Argentina. Durante cerimônia pelos 60 anos do BC, ele relatou que argumentou contra a proposta em ambas as ocasiões, destacando riscos como inflação e a falta de convergência fiscal entre os países. Campos Neto mencionou que a ideia foi inicialmente sugerida por um ministro do governo anterior e, posteriormente, retomada por Fernando Haddad, mas sem avanços concretos.
Apesar dos apelos, Campos Neto manteve sua posição contrária, explicando que o projeto não era viável economicamente. Ele relembrou ter usado os mesmos argumentos nos dois governos, enfatizando os desafios de uma integração monetária sem bases sólidas. A discussão ganhou destaque após Lula e o então presidente argentino Alberto Fernández assinarem uma carta em 2023 propondo uma moeda sul-americana comum, mas a iniciativa não saiu do papel.
A revelação destaca as divergências internas sobre a relação econômica com a Argentina e os obstáculos para uma integração monetária na região. Embora a ideia tenha sido discutida em diferentes governos, a falta de consenso técnico e político manteve a proposta como uma aspiração distante, sem planos concretos de implementação.