O anúncio do pacote de tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (2), trouxe resultados relativamente positivos para o Brasil, segundo análise do ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo. O país foi incluído no grupo com a menor sobretaxa (10%), ao lado de Singapura e Reino Unido, enquanto nações como Vietnã e Camboja enfrentaram alíquotas superiores a 45%. Azevêdo destacou que o déficit comercial do Brasil com os EUA pode ter influenciado essa decisão, mas ressaltou que ainda há muitas incógnitas sobre os critérios utilizados para definir as tarifas.
As tarifas recíprocas foram calculadas com base em três fatores: diferença entre as tarifas de importação dos EUA e de seus parceiros, carga tributária interna e barreiras não-tarifárias. No caso do Brasil, o nível de proteção identificado foi de 10%, o piso estabelecido pelo decreto. Especialistas, no entanto, criticam a metodologia por misturar tributos internos com tarifas de comércio exterior e pela dificuldade em quantificar barreiras não-tarifárias, como regras ambientais ou de propriedade intelectual.
Azevêdo ponderou que, embora o Brasil tenha se saído melhor que outros países, ainda não está claro se as tarifas serão negociáveis no futuro. Uma simulação do Bradesco estima que a sobretaxa de 10% pode impactar as exportações brasileiras em cerca de US$ 2 bilhões. O embaixador enfatizou que a falta de transparência nos critérios e a possibilidade de discricionariedade política podem acirrar disputas comerciais, deixando muitas perguntas sem resposta.