O acordo entre Brasil e Estados Unidos para garantir tarifas mais baixas nas exportações brasileiras teve como ponto central o etanol. O governo brasileiro, representado por Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, temia uma taxação agressiva devido à influência dos produtores americanos de etanol, que têm forte peso político. Negociadores destacaram que o produto já havia sido taxado em fevereiro e reforçaram a relação comercial deficitária do Brasil com os EUA, que acumulou superávit de US$ 410 bilhões em 15 anos.
A decisão de taxar as exportações brasileiras em 10% reflete o pragmatismo da administração americana, que tratou aliados e outros países de forma similar. O resultado foi visto como uma vitória da diplomacia brasileira, que evitou tarifas mais altas. O processo também ilustra a abordagem populista e imprevisível das negociações, com anúncios feitos em tom de ameaça, mas com decisões finais baseadas em interesses comerciais.
O Congresso brasileiro autorizou o governo a retaliar caso necessário, mas o foco permaneceu na manutenção das relações econômicas. O caso mostra como o comércio internacional, sobretudo com os EUA, é guiado por cálculos financeiros e não por alianças políticas. O etanol, por seu valor estratégico, serviu como peça-chave para equilibrar os interesses de ambos os lados.