Um estrategista do BCA Research, Peter Berezin, havia alertado em dezembro sobre o risco de tarifas unilaterais amplas sob um eventual novo governo Trump, previsão que se confirmou com as recentes medidas protecionistas. Agora, ele projeta que o pior ainda está por vir: o S&P 500 pode cair para 4.450 pontos até o fim do ano, uma queda de quase 18%, enquanto o preço do petróleo pode despencar para US$ 50 o barril devido à falta de demanda. Berezin atribui esse cenário a uma combinação de vulnerabilidades econômicas pré-existentes, como o aumento de inadimplências e vacâncias comerciais, e o choque causado pelas tarifas, elevando a probabilidade de recessão para 75%.
Apesar do otimismo inicial de Wall Street, que esperava cortes de impostos e desregulamentação para compensar o protecionismo, a escalada das tarifas—as mais altas em quase um século—mudou o panorama. Economistas agora revisam suas projeções, reduzindo expectativas de crescimento e aumentando o temor de inflação e contração econômica. O S&P 500 já reagiu negativamente, com uma queda de quase 5% em um único dia, refletindo o nervosismo do mercado.
Berezin destaca que as retaliações internacionais podem ampliar os danos, pressionando empresas de tecnologia dos EUA no exterior e reduzindo a demanda por produtos e viagens americanas. Além disso, os rendimentos do Tesouro podem permanecer altos caso o governo aprove cortes fiscais sem financiamento adequado. O ciclo, segundo ele, tende a se agravar: o medo do desemprego leva a menos gastos, o que enfraquece ainda mais a economia. O alerta é claro: a combinação de guerra comercial e fragilidade interna pode levar os EUA a um período turbulento.