Motociclistas e ciclistas que atuam como entregadores de aplicativos como iFood, Uber Flash, 99 e Rappi estão em seu segundo dia de paralisação nacional, abrangendo 59 cidades. O movimento, chamado Breque Nacional dos Apps 2025, reivindica melhores condições de trabalho, incluindo aumento da taxa mínima por entrega, limitação do raio de atuação para ciclistas, acesso a banheiros e água em estabelecimentos parceiros, além de seguro de vida e auxílio em casos de acidente. A categoria também protesta contra o pagamento integral por pedidos agrupados, que reduz seus ganhos.
Apesar do diálogo entre as empresas de delivery e representantes sindicais desde as paralisações durante a pandemia, os avanços têm sido insuficientes. Reajustes anteriores, como o da quilometragem em 2022, não trouxeram melhorias concretas no dia a dia dos trabalhadores. A falta de regulamentação efetiva pelo Estado e a complacência com as empresas ampliam a necessidade de mobilização. Propostas como a PLP 12/2024 são criticadas por transferir responsabilidades das plataformas para os entregadores, evidenciando a fragilidade das leis atuais.
A economia dos aplicativos opera em um modelo que transfere riscos aos trabalhadores enquanto maximiza lucros das plataformas. Sem vínculos empregatícios tradicionais, os entregadores enfrentam desafios como a falta de proteção legal e a resistência das empresas a mudanças. Diante disso, a união e a pressão coletiva surgem como principais ferramentas para garantir direitos e condições mais justas, destacando a urgência de uma regulação que equilibre as relações entre plataformas, trabalhadores e o poder público.