Em meio a uma semana de forte volatilidade nos mercados globais, especialistas destacam a incerteza gerada pelas recentes tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Nouriel Roubini, economista conhecido por prever a crise de 2008, avalia que os investidores ainda podem enfrentar quedas mais acentuadas antes de uma estabilização, dependendo das negociações em curso. Ele sugere que, mesmo com possíveis acordos, o mercado pode sofrer correções adicionais antes de encontrar um fundo. Enquanto isso, outros analistas, como Mohammed El-Erian, apontam a falta de confiança entre as partes envolvidas como um obstáculo para uma solução rápida.
A postura do governo norte-americano tem sido central no debate, com poucos sinais de recuo nas políticas anunciadas. Roubini observa que, diferentemente de governos anteriores, a atual administração parece menos influenciada pelas oscilações do mercado acionário e mais focada em indicadores como taxas de juros e crédito. Essa dinâmica, segundo ele, pode prolongar a tensão comercial, já que medidas protecionistas tendem a impactar diretamente o custo de vida e a inflação. Howard Marks, da Oaktree Capital, reforça a dificuldade de prever cenários, dada a imprevisibilidade das respostas globais e das próprias políticas domésticas.
Apesar das divergências, há consenso sobre os riscos inflacionários das tarifas e o potencial de agravamento da desaceleração econômica global. Marks destaca que, após décadas de queda nos preços de bens duráveis, as medidas protecionistas podem reverter essa tendência, pressionando os consumidores. Enquanto os mercados aguardam desdobramentos, a única certeza, segundo os especialistas, é que a volatilidade deve persistir até que haja clareza sobre o rumo das negociações internacionais.