Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu Mianmar em 28 de março, causando milhares de mortes e danos generalizados. O governo militar, que normalmente evita interferência internacional, fez um raro pedido de ajuda humanitária. No entanto, os esforços de recuperação são complicados pela guerra civil em curso, que já deixou o país fraturado, com infraestrutura crítica destruída e sistemas de saúde sobrecarregados. Restrições à internet e ao acesso de jornalistas dificultam a avaliação real dos estragos, enquanto relatos indicam que a ajuda pode estar sendo desviada para áreas controladas pelo regime, deixando regiões oposicionistas em situação crítica.
Text: Organizações locais e internacionais alertam para o risco de a ajuda humanitária ser instrumentalizada pelo governo militar, que tem histórico de bloquear assistência a áreas controladas por grupos pró-democracia. Após ciclones anteriores, o regime foi acusado de impedir a distribuição de suprimentos e negar vistos a trabalhadores humanitários. Desta vez, equipes de resgate da China e da Rússia foram autorizadas a entrar, enquanto agências ocidentais enfrentam obstáculos. Enquanto isso, cidades como Sagaing, fortaleza da oposição, relatam atrasos na chegada de auxílio, contrastando com a resposta mais ágil em áreas leais ao governo.
Text: O desastre natural reacendeu debates sobre o futuro do conflito. Grupos rebeldes propuseram um cessar-fogo temporário para facilitar os resgates, mas o governo militar rejeitou a proposta e continuou com ataques aéreos em regiões já devastadas pelo terremoto. Analistas sugerem que a crise pode intensificar a pressão sobre o regime, assim como ocorreu após o ciclone Nargis em 2008, que acelerou mudanças políticas. No entanto, com a junta focada em manter o poder e os combates persistindo, a recuperação do país permanece incerta, enquanto a população enfrenta duplos desafios: os efeitos do terremoto e os da guerra civil.