O dólar à vista encerrou em queda de 1,20%, cotado a R$ 5,6281, após atingir o menor valor desde outubro, em meio a reações aos novos impostos sobre importações anunciados pelo governo americano. O real se destacou entre as moedas emergentes, beneficiado pelo fato de o Brasil ter sido taxado em apenas 10%, abaixo de outros países como China e União Europeia. A incerteza gerada pelo tarifaço levou investidores a abandonarem bolsas nos EUA e migrarem para ativos seguros, como títulos do Tesouro, embora o dólar não tenha se fortalecido frente a divisas emergentes, contrariando o padrão em momentos de aversão ao risco.
A perspectiva de desaceleração da economia americana aumentou as apostas em cortes de juros pelo Fed, enquanto o petróleo registrou queda acentuada. Analistas avaliam que, no curto prazo, o cenário pode favorecer um movimento de rebalanceamento em direção aos mercados emergentes, como o Brasil, devido aos juros elevados e à liquidez do real. No entanto, há preocupações sobre os efeitos indiretos de uma possível piora na atividade global, caso o Fed demore a reduzir as taxas ou mantenha a política monetária restritiva.
Apesar da volatilidade, o real manteve relativa estabilidade, sustentado pela taxa de juros doméstica e pelo interesse em operações de carry trade. Enquanto isso, moedas fortes, como euro e iene, ganharam força, e o índice DXY atingiu os menores patamares desde outubro de 2024. Especialistas destacam que o impacto direto das tarifas sobre o Brasil pode ser limitado, mas alertam para possíveis efeitos deflacionários no curto prazo, o que poderia influenciar as decisões do Banco Central.