Em menos de dois meses, o Brasil passou de integrante do “Dirty 15” — grupo de países visto pelos EUA como praticantes de comércio desleal — para o “Clean Three”, seleto trio de nações com relações comerciais mais favoráveis aos americanos. A mudança ocorreu após intensos esforços diplomáticos e articulações do setor privado, que destacaram os superávits dos EUA no comércio com o Brasil e os prejuízos que tarifas elevadas trariam às próprias empresas americanas instaladas no país. A tarifa de 10% imposta pelo governo Trump, embora indesejada, foi considerada uma vitória diante de cobranças maiores aplicadas a outros parceiros, como China e União Europeia.
Três fatores foram decisivos para a mudança: a abertura de canais de diálogo entre governos, antes inexistentes; a pressão de alianças corporativas, como a Amcham Brasil, que destacou os benefícios econômicos mútuos; e a atuação discreta de diplomatas brasileiros em Washington, que reforçaram argumentos técnicos em reuniões estratégicas. A visita do embaixador Mauricio Lyrio à Casa Branca e a articulação com líderes do Congresso americano foram essenciais para consolidar a posição do Brasil como “parte da solução” e não do problema.
O governo brasileiro avalia que a manutenção desse diálogo poderá levar a futuras negociações para reduzir as tarifas. Embora o cenário comercial global esteja se tornando mais bilateral e centrado nos EUA, a estratégia adotada pelo Brasil — combinando diplomacia técnica e alianças empresariais — mostrou-se eficaz. O resultado foi recebido com alívio em Brasília, onde se reconhece que, apesar do impacto das tarifas, a situação poderia ter sido muito pior.