Especialistas, parlamentares e representantes de instituições reforçaram a necessidade de políticas públicas mais efetivas para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH). Apesar de avanços legais, como a Lei Berenice Piana e a Lei Brasileira de Inclusão, participantes destacaram a urgência de medidas como a criação de centros de referência, diagnóstico precoce e a aprovação da Política Nacional do Cuidado, que ofereceria suporte financeiro e psicológico às famílias. Mães de autistas relataram desafios cotidianos, como a falta de estrutura e a sobrecarga de cuidar sozinhas de seus filhos, muitas vezes abandonando carreiras para dedicar-se integralmente a eles.
A discussão também abordou a escassez de recursos orçamentários para a área, com um orçamento de apenas R$ 26 milhões destinado à Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência em 2024. Profissionais defenderam a ampliação de serviços no SUS, capacitação de educadores e a criação de um observatório para monitorar o cumprimento das políticas públicas. Parlamentares presentes, como a senadora Mara Gabrilli, enfatizaram que a pauta deve ser permanente, indo além de datas simbólicas, com ações concretas para garantir inclusão e direitos.
Além dos debates, a audiência destacou histórias de superação, como a de Bernardo Martínez, estudante de biologia na UNB, que atribui seu progresso ao apoio da mãe e ao acesso a terapias. A exposição de obras de artistas com TEA no local simbolizou a importância da inclusão e da valorização das singularidades dessas pessoas. O evento encerrou com um chamado à união de esforços entre governo e sociedade para transformar as leis em realidade, garantindo dignidade e oportunidades iguais para todos.