O presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, defendeu indiretamente a exploração de petróleo na Margem Equatorial, região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, durante entrevista ao programa Roda Viva. Ele argumentou que o Brasil, como país em desenvolvimento, tem o direito de explorar combustíveis fósseis enquanto busca uma transição energética alinhada ao Acordo de Paris. Corrêa do Lago destacou que a matriz energética brasileira já é majoritariamente renovável, mas que a exploração de petróleo poderia viabilizar recursos para enfrentar desafios sociais e econômicos.
O tema gera tensão entre o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Meio Ambiente, com o Ibama no centro da discussão devido à emissão de licenças. O presidente Lula já manifestou apoio à exploração, aumentando a pressão sobre o órgão ambiental. Corrêa do Lago minimizou o conflito, afirmando que o debate é legítimo e que cada país deve encontrar seu próprio caminho na transição energética, citando exemplos divergentes na Europa.
Apesar da resistência de países árabes na COP 29, que rejeitaram discussões sobre a redução de combustíveis fósseis, o tema deve ser abordado na COP 30, no Brasil, mesmo que de forma limitada. Corrêa do Lago explicou que, enquanto a negociação formal exige consenso entre os 196 países, a “agenda de ação” permite maior flexibilidade para incluir o assunto. A controvérsia reflete os desafios globais de conciliar desenvolvimento econômico e metas climáticas.