A perseguição a imigrantes nos Estados Unidos tem alimentado um mercado ilegal de venda de cidadanias e passaportes falsos em plataformas como Telegram, Facebook e WhatsApp. Criminosos se aproveitam do medo gerado pelas deportações para oferecer documentos fraudulentos, principalmente de nacionalidades norte-americana, portuguesa, espanhola e italiana. Reportagem teve acesso a grupos com até 30 mil membros, onde os preços variam de R$ 150 a R$ 200, com promessas de documentos “100% seguros” e prazos curtos para entrega.
A legislação brasileira prevê penas de até seis anos para falsificação, além de multas, enquanto outros países podem aplicar punições mais severas, como deportação ou prisão. Especialistas alertam que o crime é desnecessário, já que países como Portugal, Itália e Espanha concedem cidadania após cinco anos de residência legal. Nos EUA, a situação é ainda mais rigorosa, com riscos equiparados ao tráfico internacional de drogas.
Em Goiás, onde há um fluxo significativo de migrantes, autoridades afirmam não ter dados específicos sobre deportações, mas destacam iniciativas para acolher refugiados. O estado abriga quase 20 mil estrangeiros, principalmente venezuelanos e haitianos, e planeja lançar um plano estadual para garantir direitos básicos a essa população. O fenômeno reflete a tensão entre a busca por oportunidades e os riscos de métodos ilegais.