O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, afirmou que as consequências das novas tarifas impostas pelos EUA ao petróleo brasileiro ainda não estão claras, mas destacou que o impacto não deve ser severo para o setor. Ele explicou que a taxa média de 10% pode não se aplicar integralmente ao petróleo, já que os EUA são deficitários no produto e dependem de importações. Além disso, há a possibilidade de o petróleo ser excluído da lista de tributação, pois a medida poderia elevar os preços internos nos EUA sem reduzir a demanda no curto prazo.
As exportações brasileiras de petróleo para os EUA representaram, em 2024, cerca de 14% do total vendido pelo país, com um volume médio de 239 mil barris por dia. Ardenghy lembrou que esse fluxo aumentou após a guerra na Ucrânia, já que os EUA buscaram substituir fornecedores como a Rússia. No entanto, mesmo que as tarifas sejam aplicadas, o setor acredita que o petróleo brasileiro poderá ser redirecionado para outros mercados, como ocorreu durante a crise geopolítica recente.
Embora empresas com maior exposição ao mercado externo possam ser afetadas, o IBP avalia que o impacto não será duradouro, já que a demanda global permanece estável. Ardenghy destacou que o produto encontrará novos destinos, e o setor se adaptará a um possível rearranjo comercial. O governo americano deve divulgar nos próximos dias as tarifas específicas por setor, o que trará mais clareza sobre o cenário futuro.