O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, afirmou que as consequências das novas tarifas impostas pelos EUA ao petróleo brasileiro ainda não estão claras, mas destacou que o impacto não será devastador para o setor. Ele explicou que a taxa média de 10% pode não se aplicar integralmente ao petróleo, já que os EUA são deficitários no produto e dependem de importações. Além disso, há a possibilidade de o petróleo ser excluído da lista de taxações, pois a medida poderia elevar os preços para o consumidor americano sem reduzir a demanda no curto prazo.
As exportações brasileiras de petróleo para os EUA representam cerca de 14% do total, com um volume atual próximo a 200 mil barris por dia. Ardenghy lembrou que a guerra na Ucrânia impulsionou essas vendas, já que os EUA buscaram substituir fornecedores como a Rússia. Outros mercados, como Europa (Holanda e Espanha), também passaram a receber petróleo brasileiro recentemente, indicando que o produto pode ser redirecionado caso as tarifas sejam implementadas.
Caso a taxa de 10% seja mantida, as empresas mais expostas ao mercado americano seriam as mais afetadas, incluindo petroleiras independentes e multinacionais. No entanto, o presidente do IBP acredita que o impacto não será duradouro, pois a demanda global permanece e o petróleo brasileiro pode encontrar novos compradores. O setor já passou por rearranjos similares após a guerra na Ucrânia, e uma adaptação em menor escala é esperada agora.