A China captou mais de 47 bilhões de yuans (R$ 37 bilhões) em propostas para sua primeira venda de títulos soberanos verdes, valor que ultrapassou em muito os 6 bilhões de yuans inicialmente esperados. Os títulos, com prazos de três e cinco anos, terão rendimentos de 1,88% e 1,93%, respectivamente, ajustados para baixo em relação às projeções iniciais. A operação, que pode ser concluída em breve, visa listar os títulos em Londres, reforçando os laços financeiros entre China e Reino Unido e acessando o mercado europeu, maior comprador global de dívidas sustentáveis.
A emissão faz parte dos esforços da China para expandir sua presença nos mercados internacionais, seguindo vendas recentes na Arábia Saudita e em Paris. O plano foi anunciado durante a visita do Chanceler do Tesouro britânico a Pequim, com ambos os países destacando a cooperação financeira. Investidores tiveram a rara oportunidade de discutir diretamente com o Ministério das Finanças chinês sobre estratégias de descarbonização e o cenário econômico, um movimento visto como sem precedentes.
Apesar da desaceleração global na emissão de títulos verdes em 2024, a China continua liderando como o maior emissor deste tipo de dívida. O país, maior poluidor do mundo, busca atingir o pico de emissões de gases de efeito estufa antes de 2030, com iniciativas como a expansão do mercado de comércio de carbono e o aumento do uso de energias renováveis. O primeiro-ministro Li Qiang reforçou esses compromissos em um relatório anual, destacando a transição para uma economia mais sustentável.