A China prometeu adotar medidas retaliatórias contra os Estados Unidos em resposta ao anúncio de novas tarifas sobre exportações chinesas, descritas pelo governo chinês como “prática típica de bullying unilateral”. O porta-voz do Ministério do Comércio da China pediu o cancelamento das tarifas e defendeu a resolução de disputas por meio de diálogo, alertando que “não há vencedores em uma guerra comercial”. As tarifas impostas representam um aumento de 34% sobre as já existentes de 20%, além de duas rodadas anteriores de 10% desde o retorno do mandatário norte-americano à Casa Branca.
As medidas também afetam outros países, como Vietnã (46%), Camboja (49%) e Brasil (10%), justificadas pela necessidade de conter o fluxo de fentanil ilícito da China. Analistas avaliam que as tarifas podem marcar um ponto de inflexão nas relações comerciais entre EUA e China, pressionando multinacionais a reconsiderar operações no país asiático. Até agora, a resposta chinesa foi moderada, com impostos sobre produtos agrícolas e industriais norte-americanos, como soja e trigo, além de restrições à exportação de minerais críticos.
A escalada das tensões ocorre em um momento sensível para a economia global, com o FMI alertando que conflitos comerciais podem reduzir o crescimento mundial em até 0,5% nos próximos dois anos. Especialistas esperam que a China adote respostas direcionadas a setores politicamente sensíveis nos EUA, ampliando o impacto econômico e político das medidas. O cenário reforça preocupações sobre uma possível desaceleração no comércio internacional.