Bancos e consultorias receberam com alívio a tarifa de 10% imposta pelos EUA a produtos brasileiros, considerando que outras economias, como China e União Europeia, enfrentarão cobranças maiores. Apesar disso, o governo e setores produtivos demonstraram preocupação, alegando que a medida viola acordos da OMC e pode prejudicar as exportações. O Brasil integra um grupo de países menos afetados, como Reino Unido e Argentina, mas autoridades e empresários já planejam missões diplomáticas e comerciais para mitigar os impactos.
Analistas destacam que a tarifa relativamente baixa pode, paradoxalmente, beneficiar o Brasil em certos mercados, como o agrícola, onde concorre diretamente com os EUA. A reorganização das cadeias globais de suprimentos também pode atrair investimentos para o país, já que sua alíquota é menor que a de concorrentes como a China. No entanto, especialistas alertam que os efeitos indiretos de uma desaceleração econômica global, especialmente na China, podem ser mais prejudiciais do que as tarifas em si.
A aproximação diplomática, incluindo reuniões entre representantes brasileiros e americanos, foi apontada como um fator que amenizou os impactos. Setores como o de etanol, inicialmente temidos, saíram menos afetados do que o esperado. Embora o cenário ainda seja incerto, há expectativa de que o Brasil possa ampliar sua participação em mercados como o de proteína animal, repetindo conquistas passadas em um contexto comercial cada vez mais complexo.