O Banco Central (BC) avaliou que os preços dos alimentos, especialmente os consumidos em domicílio, devem continuar pressionados nos próximos meses, contribuindo para a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que, embora os alimentos tenham sido um dos principais responsáveis pelo aumento da inflação recente, há expectativa de queda nos próximos 60 dias, o que poderia abrir espaço para reduções na Selic no futuro. Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano, nível comparável ao de 2015/2016 e um dos mais altos do mundo.
O BC utiliza a taxa de juros como principal instrumento para controlar a inflação, que impacta especialmente a população mais pobre. A autoridade monetária segue o sistema de metas, e as projeções indicam que a inflação deve permanecer acima do centro da meta (3%) até 2027. Com a economia crescendo em ritmo considerado excessivo para o controle de preços, o BC sinalizou que a Selic deve se manter alta por mais tempo, com possibilidade de novo aumento em maio, ainda que menor que um ponto percentual.
Relatórios do BC destacam que os preços de alimentos industrializados podem moderar, mas os in natura tendem a subir, acompanhando ou superando a sazonalidade. Além disso, a oferta restrita de boi gordo e a demanda externa aquecida pressionam os preços das proteínas. A inflação acumulada em 12 meses deve permanecer em torno de 5,5%, acima do limite superior da meta (4,5%), reforçando a necessidade de políticas monetárias restritivas no curto prazo.