O Banco Central (BC) avaliou que os preços dos alimentos, especialmente os in natura e as proteínas, devem continuar pressionados nos próximos meses, contribuindo para a inflação acima da meta. A instituição destacou que a alta nos preços pode se propagar para outros setores devido a mecanismos inerciais da economia, mantendo a inflação acumulada em torno de 5,5% — acima do intervalo de tolerância de 4,5%. Com projeções desfavoráveis, o BC sinalizou que a taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano, deve permanecer elevada por mais tempo, com possível novo aumento em maio, ainda que menor que um ponto percentual.
A ministra do Planejamento e Orçamento afirmou que os preços dos alimentos devem recuar nos próximos 60 dias, o que poderia abrir espaço para reduções na taxa de juros antes do previsto. No entanto, o BC mantém cautela, argumentando que o crescimento econômico ainda está acima do patamar necessário para conter a inflação. A autoridade monetária reforçou que o cenário de oferta restrita de boi gordo e demanda externa aquecida tende a manter pressões nos preços das proteínas em 2025.
O BC opera com um sistema de metas para a inflação, cujo objetivo central é de 3% até 2027, mas as projeções atuais indicam persistência de variações mensais elevadas. Enquanto a ministra expressou otimismo sobre uma possível queda nos juros no futuro, o BC reiterou a necessidade de manter políticas restritivas para frear o ímpeto inflacionário. Os juros reais brasileiros seguem entre os mais altos do mundo, refletindo os desafios para estabilizar a economia em um contexto de pressões persistentes.