Um documentário intrigante, exibido no festival CPH:DOX em Copenhague, explora a cultura dos baloeiros no Brasil. Esses grupos, formados principalmente por jovens, constroem e soltam balões gigantes e decorados de forma ilegal, que podem viajar centenas de quilômetros. A prática, vista como uma forma de arte urbana ou expressão comunitária, não tem uma motivação clara, mas é encarada pelos participantes como um ato de alegria e resistência cultural.
Apesar do caráter lúdico, os baloeiros enfrentam perseguição policial, sob a justificativa de estarem associados a atividades criminosas. As autoridades incentivam a população a denunciar suspeitos, mas os artistas continuam firmes em sua missão de espalhar os balões, que carregam imagens de ícones pop como Sly Stallone e Luciano Pavarotti. Como observa a cineastra por trás do filme, os balões, uma vez no ar, pertencem a todos — até mesmo à polícia.
A prática, embora ilegal, revela um fenômeno cultural único, onde a criatividade e a transgressão se misturam. Os baloeiros, unidos por um código de lealdade, veem seus balões como uma forma de arte acessível e efêmera, que desafia as normas e encanta quem os vê cruzar os céus das cidades brasileiras.