O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) manifestou profunda preocupação com a morte de 15 trabalhadores humanitários em Gaza, incluindo membros do Crescente Vermelho Palestino e da ONU, em incidentes ocorridos no final de março. Volker Türk, titular do Acnudh, destacou que os ataques a ambulâncias e equipes de resgate levantam sérias dúvidas sobre possíveis crimes de guerra. Os corpos foram encontrados próximos a Rafah, em uma vala comum, segundo relatos do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
As circunstâncias das mortes foram descritas como especialmente sombrias, com relatos de que algumas vítimas estavam sob controle de forças israelenses antes de serem mortas. Enquanto o Exército israelense afirmou estar investigando o caso e alegou que os alvos eram “terroristas”, representantes de outros países na ONU questionaram a justificativa, destacando um padrão de ataques a trabalhadores humanitários. O embaixador esloveno, por exemplo, lamentou a erosão da humanidade em Gaza e a inação do Conselho de Segurança.
Além disso, Türk criticou o bloqueio de ajuda humanitária imposto por Israel há um mês, classificando-o como uma forma de punição coletiva que pode levar à fome em massa. Ele também expressou alarme com declarações de autoridades israelenses sobre a divisão e controle de territórios em Gaza. O conflito, que se intensificou após os ataques de outubro de 2023, continua a gerar repercussões internacionais, com pedidos de investigações independentes e maior proteção aos civis.