Yiwu, uma cidade chinesa conhecida como a “oficina do Papai Noel”, produz cerca de dois terços das decorações natalinas vendidas globalmente. No entanto, este ano, os negócios estão mais lentos devido às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que elevam os impostos sobre importações chinesas em pelo menos 20%. Com clientes americanos hesitantes em fechar pedidos, fabricantes e comerciantes de Yiwu, que movimenta US$ 70 bilhões em mercadorias anualmente, enfrentam incertezas. A cidade, que abriga um dos maiores mercados de pequenas commodities do mundo, teme os impactos de uma possível guerra comercial entre as duas maiores economias globais.
A retração das exportações para os EUA preocupa empresários locais, como Lina Liu, cuja empresa de produtos para pets depende em 40% do mercado americano. Muitos clientes estão adiando compras na esperança de um alívio nas tarifas, enquanto alguns consideram rotas alternativas, como enviar mercadorias por meio de terceiros países. Economistas alertam que, mesmo com possíveis reduções futuras, os preços podem subir devido à escassez de suprimentos, já que fábricas estão ociosas ou buscando outros mercados.
Além do setor natalino, a tensão comercial afeta diversos produtos, desde eletrônicos até artigos de iluminação, com margens de lucro já apertadas. Para Albert Hu, professor de economia, os consumidores americanos podem ser os mais prejudicados, já que não há substitutos fáceis para os produtos chineses. Enquanto isso, empresários como Louisa Line, da Austrália, defendem Yiwu como um exemplo de cooperação global, criticando as tarifas que, no final, atingirão pequenos varejistas e consumidores.