Mensagens trocadas entre autoridades do governo dos EUA revelaram que o vice-presidente J.D. Vance sugeriu adiar por um mês os ataques aéreos contra os houthis, realizados em 15 de março. Ele expressou preocupação com os impactos estratégicos e econômicos da operação, destacando que apenas 3% do comércio norte-americano depende do canal de Suez, contra 40% do europeu. Vance também alertou para possíveis contradições com a política externa do governo em relação à Europa e para riscos de aumento nos preços do petróleo.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, não se opôs ao adiamento, argumentando que o tempo extra poderia ser usado para identificar melhores alvos. Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, defendeu a ação imediata, citando riscos como vazamentos ou uma possível ação antecipada de Israel. Hegseth enfatizou que a narrativa pública deveria focar nos supostos erros da administração anterior e no apoio do Irã aos houthis, além de reforçar a dissuasão militar. Apesar das reservas iniciais, Vance acabou concordando com a execução do ataque.
As mensagens, obtidas pela revista The Atlantic após um erro que incluiu seu editor-chefe em um grupo no Signal, também revelaram detalhes sensíveis da operação, como horários de decolagem de caças e drones. A divulgação dessas informações poderia ter colocado em risco as tropas envolvidas. O material mostra ainda a coordenação entre as autoridades para alinhar a comunicação pública e minimizar danos colaterais, como possíveis ataques a instalações petrolíferas sauditas.