O Ver-o-Peso, maior feira livre da América Latina e cartão-postal de Belém, celebra 398 anos nesta quinta-feira (27). Tombado como patrimônio histórico pelo Iphan, o complexo de 25 mil m² reúne mercados, praças e construções que misturam influências da Belle Époque francesa e Art Nouveau. Além de ser um centro de comércio, o espaço é palco de manifestações culturais, religiosas e gastronômicas, conectando a Amazônia urbana e ribeirinha. Atualmente, passa por reformas de R$ 64 milhões para a COP 30, conferência climática que Belém sediará em 2025.
O complexo, que remonta ao século 17, inclui estruturas icônicas como o Mercado de Ferro, a Doca do Ver-o-Peso e a Praça do Relógio, além da Feira do Açaí, que abastece a cidade com o fruto típico da região. Diariamente, mais de 50 mil pessoas circulam pelo local, onde se encontram desde peixes frescos até ervas medicinais e artesanato. O Ver-o-Peso também inspira artistas, como a cantora Dona Onete, que imortalizou o “pitiú” — cheiro característico do mercado — em uma de suas canções.
A fotógrafa Nay Jinknss destaca a importância do Ver-o-Peso como documento vivo da cultura amazônica, registrando há mais de uma década a diversidade de pessoas e tradições que ali se encontram. Para ela, o espaço é um “pilar do Norte”, essencial para entender a identidade da região além dos estereótipos da fauna e flora. A celebração do aniversário inclui apresentações musicais e um bolo gigante, reforçando o papel do Ver-o-Peso como símbolo de resistência e diversidade cultural.