Uma pesquisa realizada pelo Instituto Hippocampus, na região do Complexo Portuário de Suape, identificou anomalias em cavalos-marinhos, possivelmente relacionadas ao derramamento de óleo que atingiu o litoral brasileiro em 2019. Os pesquisadores acompanharam as populações da espécie Hippocampus reidi, que habita o Rio Massangana e a Ilha de Cocaia, e observaram deformidades como escoliose severa, lordose, e malformações no focinho e nos olhos dos animais. Tais deformidades afetam a sobrevivência dos cavalos-marinhos, com muitos nascimentos inviáveis ou abortos, colocando em risco a população local.
As evidências indicam que o derramamento de óleo foi o principal responsável pelas anomalias observadas. A Ilha de Cocaia, uma das áreas mais afetadas pela contaminação, apresentou uma taxa de malformações significativamente mais alta, enquanto outras áreas não registraram casos semelhantes. O estudo sugere que a exposição ao petróleo pode ter causado danos diretos às células reprodutivas dos cavalos-marinhos, além de afetar a qualidade do ambiente, levando à extinção local da população se não houver medidas de manejo adequadas.
O Instituto Hippocampus alerta para a necessidade de mais pesquisas e monitoramento contínuo da região para avaliar o impacto do desastre ambiental. Embora os pesquisadores tenham realizado experimentos para reverter os danos, a falta de recursos financeiros dificulta o avanço dos estudos. A recuperação da população de cavalos-marinhos dependerá de um plano de manejo adequado, com monitoramento das condições ambientais e controle da reprodução, a fim de evitar casamentos consanguíneos e garantir a saúde genética das futuras gerações.