A Universidade de São Paulo (USP) concedeu diplomas honoríficos a quatro estudantes que resistiram à ditadura civil-militar (1964-1985) em uma cerimônia realizada na Escola Politécnica. O projeto “Diplomação da Resistência” reconhece a coragem de 31 membros da comunidade universitária que se opuseram às violações de direitos durante o regime. A iniciativa, promovida pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, destaca o papel da USP na preservação da memória histórica, especialmente diante dos 47 casos de mortos e desaparecidos da instituição registrados pela Comissão Nacional da Verdade.
Entre os homenageados, estavam jovens que integraram movimentos de oposição ao regime e foram vítimas de violência estatal. Um deles, morto aos 26 anos, teve sua história distorcida por versões oficiais, mas investigações posteriores comprovaram execução sumária. Outro, de origem portuguesa, fugiu da ditadura em seu país natal apenas para ser assassinado no Brasil em 1971, junto a outros militantes, em uma emboscada armada por agentes do DOI-Codi. As famílias compartilharam relatos emocionados sobre as perdas e o impacto duradouro dessas mortes.
A cerimônia também lembrou outros dois estudantes, um deles morto em 1970 após perseguições por sua militância trotskista, e outro assassinado pouco depois de ingressar na resistência. O evento reforçou a importância de revisitar esse período para garantir que as violações não se repitam, além de honrar aqueles que lutaram pela democracia. A USP segue como um espaço central nesse debate, unindo memória, justiça e educação.