A visita não anunciada do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, a uma base militar americana na Groenlândia desencadeou críticas por parte da Dinamarca, que considerou o tom das declarações americanas inadequado entre aliados. Durante a visita, Vance afirmou que a Dinamarca não fez o suficiente para garantir a segurança da ilha, um território autônomo dinamarquês de grande importância estratégica. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, destacou a parceria histórica entre os dois países e lembrou que o atual acordo de defesa já permite uma presença militar mais robusta dos EUA na região.
A Dinamarca reforçou seu compromisso com a segurança no Ártico, anunciando investimentos de quase US$ 2 bilhões para fortalecer sua presença na região. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, ressaltou o apoio do país aos EUA em conflitos passados, como no Iraque e no Afeganistão, e lamentou as críticas que considerou injustas. Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, reiterou o interesse estratégico dos EUA na Groenlândia, embora o vice-presidente tenha descartado o uso da força, afirmando que uma solução negociada seria possível.
A Groenlândia, que recentemente formou um novo governo de coalizão, tem a maioria de sua população favorável à independência da Dinamarca, mas rejeita a ideia de se tornar parte dos EUA, conforme pesquisas locais. O impasse reflete as crescentes tensões geopolíticas no Ártico, uma região cada vez mais cobiçada por seu valor estratégico e recursos naturais. O status quo, segundo autoridades dinamarquesas, não é mais uma opção, e ambos os países buscam redefinir seus papéis na segurança da região.