O primeiro vice-presidente do Sudão do Sul foi detido nesta quarta-feira (26) em uma ação considerada inconstitucional por seu partido, elevando os temores de um conflito generalizado no país. Segundo relatos, um grupo fortemente armado invadiu sua residência na capital, Juba, desarmou seus seguranças e apresentou um mandado de prisão com acusações não esclarecidas. A detenção ocorre em meio a uma escalada de tensões entre as lideranças políticas, pondo em risco o frágil acordo de paz de 2018 que encerrou uma guerra civil devastadora.
A Missão da ONU no país alertou que a situação coloca o Sudão do Sul “à beira do abismo”, com riscos de um retrocesso que afetaria toda a região. O acordo de divisão de poder, que mantinha uma trégua entre as facções rivais, vem sendo desfeito gradualmente, com a marginalização política de figuras-chave e a detenção de aliados nos últimos meses. Analistas apontam que as recentes movimentações sugerem uma disputa pelo controle do futuro político da nação mais jovem do mundo.
Desde sua independência em 2011, o Sudão do Sul enfrenta instabilidade crônica, pobreza e violência, apesar dos esforços de pacificação. A atual crise ameaça reacender um conflito que, entre 2013 e 2018, deixou cerca de 400 mil mortos. A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos, enquanto líderes locais são instados a evitar medidas unilaterais que possam aprofundar a divisão no país.