O Teatro Experimental do Negro (TEN) foi fundado em 1944 por Abdias Nascimento, com o objetivo de dar protagonismo a atores negros e transformar a cena teatral brasileira. A companhia surgiu após uma viagem de Abdias ao Peru, onde se deparou com a exclusão racial em uma apresentação de “O Imperador Jones”. Esse episódio gerou a determinação de criar um espaço para que negros ocupassem papéis de destaque no teatro, algo inédito na época. A estreia do TEN, em 1945, com a mesma peça, foi um marco para a dramaturgia brasileira.
O legado do TEN não se limitou à inclusão de negros no palco, mas também à produção de narrativas que refletiam a realidade do povo negro brasileiro, abordando questões sociais e culturais. Abdias Nascimento e seu grupo não apenas encenaram peças, mas também promoveram o desenvolvimento de uma literatura dramática que refletisse a experiência negra, com produções como “O Filho Pródigo” e “Rapsódia Negra”. Além disso, a companhia foi pioneira ao estimular o surgimento de novas formas de expressão e abordagens no teatro brasileiro.
O impacto do Teatro Experimental do Negro vai além de sua época, influenciando gerações de artistas e grupos teatrais no Brasil. A visão de Abdias Nascimento se manteve viva através de iniciativas como a Cia dos Comuns, que, nos anos 2000, seguiu o exemplo do TEN ao priorizar a representatividade negra no palco e nas discussões culturais. O trabalho de Abdias também inspirou a criação do Fórum Nacional de Performance Negra, uma plataforma para discutir a presença negra nas artes e as condições de vida dos negros no Brasil, refletindo o legado duradouro de sua luta.