O Australopithecus afarensis, espécie à qual pertence o famoso fóssil Lucy, não tinha capacidade física para correr rápido ou por longos períodos, segundo um estudo recente. Pesquisadores reconstruíram digitalmente o esqueleto de Lucy e simularam seus movimentos, descobrindo que sua velocidade máxima era de aproximadamente 17,6 km/h, muito abaixo da média humana moderna. Além disso, o custo energético para se locomover era até 2,9 vezes maior do que o dos humanos atuais, indicando que a caça persistente seria inviável para esses ancestrais.
O estudo utilizou modelagem 3D e simulações biomecânicas para comparar a anatomia do Australopithecus afarensis com a de humanos e chimpanzés. A ausência de um tendão de Aquiles longo e a estrutura muscular menos eficiente limitavam sua performance na corrida. Essas descobertas reforçam a hipótese de que o acesso à carne em sua dieta provavelmente ocorria por meio de carcaças abandonadas por outros predadores, e não pela caça ativa.
A pesquisa também contextualiza a evolução da locomoção humana, destacando que características como membros mais longos e músculos adaptados só surgiram posteriormente, no gênero Homo. Isso explica por que espécies como o Homo erectus, mais modernas, tinham vantagens na corrida de resistência. O estudo oferece novos insights sobre como a capacidade física moldou o comportamento alimentar e a sobrevivência desses ancestrais.