O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, anunciou no sábado (29) um governo de transição composto por 23 ministros, marcando um passo significativo na mudança após décadas de governo da família Assad. O novo gabinete, ampliado e mais diversificado, inclui representantes de diferentes comunidades étnicas e religiosas, como alauitas, drusos e cristãos, em resposta às pressões internacionais por maior inclusão. A formação ocorre em meio a tensões após violência contra civis alauitas na costa oeste do país.
Entre as nomeações, destacam-se figuras como Hind Kabawat, uma ativista cristã pela tolerância interreligiosa e empoderamento feminino, que assumirá o Ministério de Assuntos Sociais e Trabalho. O governo também manteve ministros-chave, como os das pastas de Defesa e Relações Exteriores, e criou novas pastas, como a de Esportes e a de Emergências, esta última liderada por Raed al-Saleh, chefe dos “Capacetes Brancos”. A ausência de um primeiro-ministro concentra o poder executivo nas mãos de al-Sharaa.
A transição foi formalizada por uma declaração constitucional que estabelece a lei islâmica como base, mas também garante direitos como liberdade de expressão e proteção às mulheres. O presidente interino prometeu reconstruir as instituições públicas e conduzir o país até eleições, que podem levar até cinco anos. O movimento é visto como uma tentativa de melhorar os laços com o Ocidente e estabilizar o país após anos de conflito.