Imagens de satélite divulgadas pelo Ministério Público do Amapá mostram que garimpos ilegais de ouro estão a apenas um quilômetro da segunda árvore mais alta da Amazônia, um Angelim-vermelho de 85 metros de altura. Localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, essas árvores gigantes formam um santuário único, com espécimes que chegam a 88,5 metros. Em outubro de 2023, o MP-AP recomendou que a Secretaria de Meio Ambiente do estado monitorasse a região e criasse zonas de proteção permanente ao redor das árvores, devido à ameaça representada pela mineração ilegal.
A situação se agravou em fevereiro deste ano, quando uma barragem de rejeitos de um garimpo ilegal se rompeu, contaminando rios próximos e causando danos ambientais graves. Pesquisadores alertam que a atividade garimpeira, sem licenciamento ou estudos de impacto, coloca em risco um patrimônio natural de valor incalculável. O coordenador do projeto que identificou as árvores gigantes destacou a importância das unidades de conservação para proteger essas áreas, seja por meio de proteção integral ou uso sustentável regulamentado.
As árvores gigantes foram descobertas em 2018 por pesquisadores do Inpe e da UFVJM, com expedições confirmando sua existência em 2019. O Angelim-vermelho, que pode atingir o equivalente a um prédio de 30 andares, é considerado uma raridade na Amazônia, onde a altura média das árvores varia entre 40 e 50 metros. A proximidade do garimpo ilegal, no entanto, ameaça não apenas essas espécies, mas toda a biodiversidade da região, exigindo ações urgentes de fiscalização e preservação.