A série “Adolescência”, da Netflix, gerou um debate significativo sobre as questões sociais atuais, especialmente relacionadas à influência das redes sociais e à cultura digital. O roteirista Jack Thorne, responsável pela criação da série, compartilhou como o enredo impactou a sociedade, gerando discussões em diversos espaços, como escolas e até no Parlamento Britânico. A trama, que acompanha a história de um adolescente acusado de violência, busca explorar as múltiplas causas do comportamento do jovem, desde as relações familiares até a pressão das redes sociais, incluindo a exposição a mensagens tóxicas de grupos online.
O roteirista destaca que, além de criticar a cultura incel, a série pretende mostrar a complexidade da situação enfrentada pelo protagonista, um garoto vulnerável que absorve discursos violentos em ambientes digitais. Thorne menciona sua própria experiência ao pesquisar sobre essas questões, acessando fóruns e conteúdos digitais frequentemente ligados a ideias extremistas. Segundo ele, é necessário compreender como essas influências moldam a percepção de jovens e, muitas vezes, conduzem a comportamentos perigosos, como o isolamento e a violência.
Thorne, em suas declarações públicas, defende mudanças radicais para enfrentar esses desafios, sugerindo ações como a proibição de smartphones e redes sociais em escolas, especialmente para menores de 16 anos, inspirando-se em medidas adotadas por outros países. Ele alerta para a urgência de transformar a cultura digital que está afetando as gerações mais novas e pede ações concretas do governo para enfrentar o problema. A série, portanto, não só busca entreter, mas também provocar uma reflexão profunda sobre os impactos da tecnologia e da cultura online na formação dos jovens.