A série “Adolescência”, da Netflix, tem gerado debates significativos sobre as influências da cultura digital na vida de jovens, especialmente naqueles mais vulneráveis. O roteirista Jack Thorne, responsável pela criação da trama, destaca como a história de um garoto de 13 anos envolvido em um ato de violência é uma reflexão sobre as complexas pressões enfrentadas por adolescentes na era das redes sociais. Thorne enfatiza que fatores como bullying online, a cultura incel e a falta de filtros críticos nos jovens contribuem para um ambiente perigoso e isolante, que pode levar ao desenvolvimento de comportamentos violentos.
O roteirista também defende a necessidade de mudanças radicais na forma como a sociedade e o governo lidam com o impacto da tecnologia nas gerações mais jovens. Ele critica a abordagem superficial de simplesmente oferecer melhores modelos a serem seguidos e propõe medidas mais incisivas, como a proibição de smartphones e redes sociais nas escolas, uma medida já adotada na Austrália, que restringe o uso dessas plataformas por menores de 16 anos. Thorne acredita que essas mudanças são essenciais para combater o “pensamento tóxico” propagado pela internet.
Embora a ideia de proibição de redes sociais tenha gerado discussões entre os jovens, Thorne continua preocupado com os desafios do futuro, principalmente no que diz respeito ao uso da tecnologia por seus filhos. Ele reflete sobre como equilibrar as vantagens e os riscos da comunicação digital e como educar as futuras gerações para lidar com a pressão social e as influências digitais de maneira saudável. O debate gerado pela série e pelas declarações de Thorne está ajudando a ampliar a conscientização sobre os efeitos prejudiciais da cultura digital e a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa e regulamentada.