A Carta das Nações Unidas determina que seus membros “devem se abster da ameaça ou do uso da força” contra a soberania ou independência de outro país. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, um tabu sobre a aquisição de territórios por força ou ameaça de força foi estabelecido, mas atualmente este consenso está sendo desfeito por líderes políticos de uma nova geração. O discurso agressivo de alguns líderes, incluindo ameaças expansionistas, está colocando em risco os princípios que sustentam a ordem internacional.
O cenário atual é marcado pela invasão russa da Ucrânia e por declarações de figuras políticas que sugerem mudanças nas fronteiras internacionais. As declarações, que incluem sugestões de que o país possa adquirir territórios como a Groenlândia, o Canadá, o Canal do Panamá e Gaza, têm gerado preocupações sobre o enfraquecimento das normas internacionais que proíbem a alteração de fronteiras por força. Essas ameaças alimentam um ambiente permissivo que pode incentivar ações semelhantes em outras regiões.
Especialistas alertam que essa mudança de postura pode resultar em uma erosão significativa das fronteiras e da ordem estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. O respeito pelas fronteiras soberanas, que foi uma das bases do sistema de segurança internacional, está sendo desafiado, e o resultado pode ser um aumento da instabilidade global. A comunidade internacional precisa estar atenta ao risco de que as fronteiras sejam novamente alteradas por força, o que poderia ter consequências graves para a paz e a segurança mundial.