No Rio de Janeiro, a violência contra mulheres tem atingido níveis alarmantes, com um crime registrado a cada 72 horas, conforme dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). O estado ocupa o quinto lugar no ranking global de feminicídios, e os casos de violência doméstica têm se tornado cada vez mais frequentes e graves. Durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, foi discutido o crescente número de feminicídios e a necessidade de políticas públicas mais eficazes para a proteção das mulheres. A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Renata Souza, sugeriu a criação de novas delegacias especializadas em atendimento à mulher em cidades que ainda não possuem esse serviço.
De acordo com os dados apresentados, 84% dos feminicídios no estado ocorreram dentro das casas das vítimas, e em 22% dos casos, os filhos presenciaram as mortes. A deputada Dani Balbi criticou a falta de recursos para as políticas públicas voltadas para as mulheres, destacando que o orçamento destinado a essas políticas é inferior a 0,5% do total de recursos do estado. Além disso, a falta de delegacias especializadas tem dificultado o acolhimento adequado das vítimas. O debate também incluiu a experiência de uma mulher que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio e que pediu mais atenção e apoio do Estado para combater o crime.
A violência contra as mulheres no Brasil tem sido comparada a um cenário de guerra, com números alarmantes de mortes e agressões. A socióloga Munah Malek, do Levante Feminista contra o Feminicídio, afirmou que o Brasil registra cerca de 1.400 mortes de mulheres por ano, além de milhões de casos de violência. A violência doméstica tem afetado principalmente mulheres negras e jovens. A promotora Eveleen Oliveira, do Ministério Público Estadual, ressaltou a importância da fiscalização e do fortalecimento das políticas públicas, mas afirmou que a aplicação das leis sozinha não é suficiente. É preciso um esforço mais eficaz para proteger as mulheres e prevenir esses crimes.