O remake da novela “Vale Tudo” promete reacender debates ao trazer de volta a icônica vilã Odete, personagem que personifica um pensamento conservador e politicamente incorreto, agora interpretada por Debora Bloch. A produção busca equilibrar saudosismo e modernidade, mantendo elementos marcantes da trama original, como os bordões e a abertura musical, enquanto atualiza temas sensíveis, como representatividade racial e LGBTQIA+. A autora Manuela Dias e a equipe enfrentam o desafio de refletir as mudanças sociais do Brasil nas últimas décadas, sem perder a essência do clássico criado por Gilberto Braga.
Além da vilã, a nova versão revisita conflitos familiares e econômicos que ainda ecoam na sociedade brasileira, como desigualdade e corrupção. Personagens negros ganham maior protagonismo, e tramas como o casal lésbico, antes censurado, agora terão um desfecho positivo. A novela também aborda o alcoolismo de forma mais sensível, evitando o tom cômico da original. Apesar das atualizações, a produção mantém a crítica social que marcou a trama nos anos 1980, agora contextualizada para os desafios atuais.
Enquanto alguns espectadores podem estranhar a persistência de temas polêmicos, como o discurso de ódio da vilã, a equipe argumenta que ele reflete realidades ainda presentes. A direção artística reforça que certos limites, como racismo e homofobia, não serão tolerados na narrativa. Com estreia marcada e gravações em andamento, o remake busca conquistar tanto fãs da versão original quanto novas gerações, propondo um diálogo entre passado e presente da teledramaturgia brasileira.