O governo italiano anunciou mudanças significativas na lei que concede cidadania por direito de sangue (ius sanguinis), restringindo o benefício a filhos e netos de cidadãos nascidos na Itália. A reforma inclui a centralização dos processos em um escritório especializado no Ministério das Relações Exteriores, encerrando o atendimento nos consulados. Com um período de transição de um ano, o objetivo é tornar os trâmites mais eficientes e liberar os consulados para focar em serviços para cidadãos já reconhecidos, em vez de novos pedidos.
Além disso, foram suspensos temporariamente agendamentos e inscrições para processos de cidadania por descendência, incluindo no portal Prenotami. O governo justifica a medida como uma forma de alinhar os critérios aos de outros países europeus e combater fraudes, já que o sistema atual estaria sobrecarregado por demandas de pessoas sem vínculo concreto com a Itália.
O comunicado destacou o aumento expressivo de reconhecimentos de cidadania, especialmente na América do Sul. Países como Argentina, Brasil e Venezuela registraram crescimento de até 50% nos pedidos entre 2022 e 2023. Estima-se que até 80 milhões de descendentes de italianos no mundo poderiam solicitar a cidadania, mas a reforma busca reduzir essa pressão sobre os sistemas administrativo e judiciário da Itália.