Em um texto reflexivo, a autora Clare Gerada compartilha suas experiências durante os últimos dias de sua longa carreira como médica de família. Ao concluir as últimas visitas domiciliares, ela observa como se distanciou de seus pacientes ao longo dos anos, algo que, no início de sua trajetória, não ocorria. A autora questiona as razões para esse afastamento e busca entender o que mudou na relação médico-paciente.
Gerada explora os desafios enfrentados pelos médicos nas últimas décadas, abordando como as mudanças estruturais no sistema de saúde e a crescente pressão sobre os profissionais têm contribuído para a perda de empatia e proximidade no atendimento. Ela reflete sobre o impacto das condições de trabalho, a administração da saúde e o papel das tecnologias, que muitas vezes dificultam a interação humana genuína entre médicos e pacientes.
Com um olhar crítico e humano, a autora propõe um retorno à prática médica mais centrada na pessoa, sugerindo que é possível reverter a desconexão, desde que haja um esforço coletivo para repensar as abordagens na medicina. Ao final, Gerada deixa um apelo para que a empatia seja restaurada no atendimento médico, favorecendo uma recuperação mais integral e humanizada para os pacientes.