A autora, mãe de duas crianças, reflete sobre o impacto da série “Adolescência”, que aborda temas como misoginia, violência de gênero e a criação de meninos em uma sociedade machista. A obra, que se tornou a mais assistida da Netflix em 71 países, a fez questionar como famílias comuns podem, mesmo sem intenção, reproduzir comportamentos que perpetuam a violência contra mulheres. Destaca-se a ausência de uma “culpa única” e a complexidade do problema, que envolve dinâmicas sociais profundas, como a sexualização precoce de crianças e a romantização do ciúme.
A crônica enfatiza a importância do exemplo na educação dos filhos, citando a psicóloga Laura Oliveira, que defende que mudanças reais vão além do discurso. A autora compartilha sua própria experiência: um lar onde ciúme é inexistente e onde homens e mulheres mantêm amizades plurais, sem conotações sexuais. Ela questiona como esperar que meninos respeitem mulheres se não veem modelos masculinos que as admirem em diversas esferas, da música à política. A naturalização de frases como “namoradinha” para bebês é apontada como um dos muitos detalhes que reforçam estereótipos prejudiciais.
Por fim, a autora reconhece que não há fórmulas prontas, mas lista elementos essenciais para uma educação antimisógina: monitoramento de telas, afeto, diálogo e, sobretudo, o exemplo cotidiano. Ela expressa o desejo de que seu filho, assim como sua filha, cresça em um mundo onde a diversidade de amizades seja natural e onde a violência de gênero não seja tolerada. A série, em sua visão, serve como um convite urgente para repensar a formação das novas gerações, mesmo que isso envolva enfrentar desconfortos e privilégios.