Em 2024, os programas de recompra de ações atingiram um recorde histórico, com 126 operações registradas, o maior número desde 2005, totalizando R$ 78,4 bilhões. Essa prática, que consiste em uma empresa usar recursos próprios para adquirir suas ações no mercado, ocorre geralmente em períodos de alta volatilidade ou quando a empresa tem caixa excessivo e pouca opção de investimento. Com a previsão de continuidade dessa tendência em 2025, a recompra de ações se tornou uma ferramenta importante para muitas empresas, especialmente durante momentos de flutuação do mercado, como visto em fevereiro de 2024, quando o Ibovespa caiu 1,6%.
Especialistas explicam que, ao recomprarem suas ações, as empresas visam aproveitar os preços baixos, o que pode gerar uma valorização do ativo a longo prazo. Além disso, essa estratégia reduz o número de ações em circulação, o que pode melhorar métricas financeiras como o lucro por ação (LPA) e aumentar a confiança dos investidores. Contudo, os analistas alertam que, se a queda no valor das ações for devido a um cenário econômico estrutural desfavorável, a recompra pode não ser suficiente para reverter essa tendência negativa.
Embora a recompra de ações seja uma estratégia flexível e vantajosa, ela não é equivalente ao pagamento de dividendos. A recompra pode beneficiar os acionistas ao reduzir a base acionária, mas não garante uma distribuição imediata de recursos como os dividendos, que são pagos periodicamente. As empresas que adotam essa estratégia devem seguir as regulamentações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), incluindo a obtenção de aprovação do Conselho de Administração e a transparência nas operações, assegurando que os investidores sejam informados de maneira adequada sobre as movimentações realizadas.