A queda nos preços de commodities como minério de ferro, bovinos e carnes bovinas, registrada no IGP-M de março, pode contribuir para uma desaceleração da inflação oficial nos próximos meses. O economista André Braz, da FGV/Ibre, destacou que esses itens, especialmente as carnes, já apresentaram recuos no IPCA-15, indicando um possível alívio nos preços ao consumidor. O IGP-M registrou quedas significativas em março, com bovinos caindo 3,99%, carnes bovinas recuando 5,50% e minério de ferro diminuindo 3,64%, enquanto o índice geral teve deflação de 0,34%.
Braz ressaltou que a redução nos preços das carnes bovinas pode se manter por mais tempo nos supermercados, o que é relevante devido ao peso desse item no IPCA. Ele também mencionou que o aumento anterior nos preços da carne bovina influenciou a alta de outras proteínas, como ovos, que se tornaram alternativa para consumidores. Embora o ovo tenha tido destaque na inflação recente, parte desse movimento pode ser atribuído à migração de consumo causada pelos preços elevados da carne.
Apesar do cenário positivo em março, o IGP-M acumula alta de 8,58% em 12 meses, sinalizando pressões inflacionárias persistentes. Braz alertou que o comportamento futuro da inflação dependerá da estabilidade do câmbio, com o dólar em torno de R$ 5,70, e de possíveis revisões para baixo no IPA. Se mantida, essa tendência pode ampliar a desaceleração para outros segmentos do IPA, refletindo no IPCA a curto prazo.